Um paradigma em ciências sociais e humanas corresponde a uma explanação compreensiva do real. A análise paradigmática que aplicamos às «Relações Internacionais» brasileiras — o nosso campo de estudo — compreende um método. A análise paradigmática, conduzida de acordo com três níveis de actuação histórica (diplomática, política e relações internacionais) evoca, portanto, determinados pressupostos. Em primeiro lugar, verificamos a existência da ideia de «nação», mesmo que não partilhada pelo povo, é comummente aceite pelos dirigentes políticos. Esta ideia de nação representa a interpretação que estes fazem de si mesmos enquanto realidade social e cultural e a visão que projectam do mundo, como ainda alberga a resultado da junção destes dois pressupostos. O resultado destes factores origina a «identidade cultural» que cada país leva para a política externa. Em segundo lugar, o paradigma comporta percepções de interesse. Isto é, reúne a leitura que os dirigentes fazem dos interesses nacionais (de segurança, sociais, económicos, culturais, etc.), leitura esse que também se altera com a mudança de paradigma. Em terceiro lugar, o paradigma comporta elaborações políticas, condicionando tendências de médio e longo prazo e as próprias rupturas. A análise paradigmática há-de colher as determinações internas e os condicionamentos externos, os fins da política, o peso da ideia de nação a construir e da cosmovisão.
Abril 28, 2008
Enfoque Paradigmático
As relações internacionais do Brasil deram origem a quatro paradigmas: o «liberal-conservador», que se estende do século XIX a 1930, o «Estado Desenvolvimentista» entre 1930 e 1989, o «Estado Normal» e o «Estado Logístico», podendo dizer-se que os últimos três coexistem compondo o modelo brasileiro de relações internacionais de 1990 até aos nossos dias.
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* texto desenvolvido a partir das ideias de Amado Luiz Cervo
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